
Depois de temporada no Recife, a exposição “Casa Habitada” chega a Garanhuns neste sábado (5), transformando o espaço doméstico em território de memória, intimidade e imaginação. Reunindo trabalhos dos fotógrafos pernambucanos Ulisses Moura, Dhyego Lima e Nivaldo Carvalho, a mostra será aberta às 18h, no Centro Cultural SESC Garanhuns, com bate-papo entre os artistas e a curadora Milena Travassos.

Com 58 obras, entre fotografias e uma videoarte, o projeto propõe um mergulho nas casas e nas relações afetivas que cercam os três fotógrafos. Realizadas em 2021, durante a pandemia da Covid-19, as imagens ultrapassam o registro documental e apostam na ideia de um “documentário imaginário”, conceito que abre espaço para diferentes interpretações e reconstruções do cotidiano.

“A autora ressalta, além do caráter técnico das imagens fotográficas, suas particularidades culturais e estéticas. Cada foto é passível de modulações provocadas por elas, por seu contexto temporal e espacial, como também por quem as olha. O documentário misturado com o imaginário ofereceu-nos abertura para exercitarmos um recorte poético ao pensar a montagem da exposição e a leitura das obras”, explica a curadora Milena Travassos.

A exposição é organizada em três núcleos. Em “Solidez”, Ulisses Moura constrói um ensaio íntimo sobre sua avó, Dona Hozana, registrando momentos de rotina, fragilidade e resistência.

“Ao ter a fotografia como paixão, optou por fazer de sua câmera um meio para conviver com a realidade que se apresentava. Expressões, rotinas, momentos de apatia, distração e ócio foram congelados com respeito e afeição. Nas imagens de Ulisses, encontramos algo de sobriedade, de permanência que atravessa gerações. Sua avó não é apenas retratada – ela é celebrada como pilar familiar, memória viva que ancora a narrativa doméstica”, comenta Milena.


Já em “Limite”, Dhyego Lima transforma janelas em fronteiras entre o íntimo e o mundo exterior. “Em tempos de isolamento, as janelas se tornaram nossos portais para o mundo. Dhyego captura essas molduras que delimitam territórios, que criam diálogos entre o íntimo e o público, o seguro e o desconhecido. Cada janela fotografada conta uma história sobre os limites que habitamos – físicos, emocionais, simbólicos. Durante a pandemia, esses limites se tornaram ainda mais significativos”, pontua a curadora.

No núcleo “Fluxo”, Nivaldo Carvalho registra a mudança de sua própria casa e transforma caixas, objetos, espaços vazios e corpos em movimento em imagens sobre passagem e transformação.

“Durante o período de mudança de casa, Nivaldo encontrou poesia no transitório. Objetos empacotados, espaços vazios, seu filho pequeno navegando entre caixas – tudo vira registro sensível do movimento constante da vida doméstica. O fluxo não é apenas mudança física, é também transformação emocional. É o tempo que não pára, mesmo quando estamos confinados em casa”, explica Milena Travassos.
Com incentivo do Governo de Pernambuco, por meio do Edital FUNCULTURA Geral 2024-2025, “Casa Habitada” também contará com ações educativas, acessibilidade para Pessoas com Deficiência e programação de bate-papos até o encerramento, em março de 2027. Mais do que fotografar casas, a exposição convida o público a reconhecer aquilo que permanece — e aquilo que se transforma — dentro de cada lar.
Serviço — Casa Habitada
Artistas: Ulisses Moura, Dhyego Lima e Nivaldo Carvalho
Curadoria: Milena Travassos
Onde: Centro Cultural SESC Garanhuns – 2º andar, Rua Cônego Benigno Lira, s/nº, Centro
Abertura: 5 de setembro de 2026, às 18h, com bate-papo
Visitação: de 5 de setembro de 2026 a 5 de março de 2027
Horários: terça a sábado, das 9h às 20h; domingos, das 11h às 20h
Entrada gratuita
Visitas mediadas: (87) 99682-0068



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