
Empresários e profissionais de diferentes segmentos se reuniram, na noite da última quinta-feira (27), no Restaurante Entre Vinhos, em Boa Viagem, no Recife, para mais um encontro do Clube de Permuta. Desta vez, o tema que conduziu a conversa foi um dos grandes desafios da gestão empresarial: saber delegar.
Em um ambiente marcado pelo networking e pela troca de experiências, os participantes discutiram como a distribuição de responsabilidades pode melhorar processos, acelerar decisões, desenvolver equipes e, principalmente, permitir que o empresário deixe de ser o único ponto de sustentação da operação.
A conversa partiu de uma constatação comum no mundo dos negócios: crescer exige confiar em pessoas, estabelecer processos e abrir espaço para que outras lideranças também participem das decisões.
Durante o encontro, Estteves Santos, diretor comercial da RHF Talentos, destacou que um dos primeiros passos para quem deseja começar a delegar é compreender quais decisões podem ser revistas e corrigidas.
“O pontapé inicial para começar a delegar é separar o que são decisões reversíveis das que não são. As primeiras você consegue delegar porque, se der algum tipo de problema, depois dá para corrigir. Ao mesmo tempo, você passa confiança e reduz a concentração de decisões”, destacou.
A discussão também mostrou que delegar não significa abandonar o controle da empresa. Para Gilberto Freyre Neto, a confiança precisa caminhar lado a lado com a responsabilidade.
“É preciso confiar em quem vai tomar a decisão em seu nome. Delegar também é custo. Você transfere a decisão, mas não transfere a responsabilidade”, afirmou.
Outro ponto considerado essencial foi a preparação da própria estrutura empresarial. Para Betinho Costa, a velocidade das decisões é importante, mas o sucesso da delegação começa ainda na escolha de quem fará parte da equipe.
“Tomar decisão rápido é importante, mas acreditamos que o processo mais importante ainda é o da contratação. É preciso ter pessoas alinhadas para trabalhar desde o início”, pontuou.

Da prática para a liderança
O debate ganhou um caráter ainda mais concreto com os relatos dos próprios participantes. Sérgio Costa, da Power Automação, compartilhou a experiência da empresa no processo de construção de uma estrutura mais descentralizada.
Atuando nos mercados de Alagoas, Pernambuco e Ceará, a empresa passou a distribuir responsabilidades entre profissionais encarregados de áreas estratégicas, como produção, transporte e assistência técnica.
“Fomos desenvolvendo pela prática. Hoje temos dois encarregados para produção e assistência técnica e uma pessoa responsável pelo transporte, que nos auxiliam no processo decisório. Estamos aprendendo e construindo esse processo”, relatou.
A experiência reforçou uma das principais conclusões do encontro: delegar é um processo de construção, e não uma simples transferência de tarefas.
Cultura também faz parte da equação
A formação de equipes preparadas e comprometidas também esteve entre os assuntos abordados. Para o cirurgião-dentista Fellipe Miranda, da Imerse Odontologia, criar regras e distribuir funções não é suficiente para garantir o envolvimento dos colaboradores.
“É preciso construir uma cultura de excelência para fazer com que o colaborador se importe e trabalhe com valores verdadeiros”, afirmou.
A reflexão levou os empresários a analisarem os próprios modelos de gestão. Afinal, até que ponto o líder precisa estar envolvido na operação? E quando o acompanhamento passa a ser confundido com centralização?
Mais do que ensinar a distribuir tarefas, o encontro propôs uma mudança de perspectiva: o empresário que deseja crescer precisa aprender a construir uma equipe capaz de tomar decisões com segurança, alinhamento e responsabilidade.
Negócios que vão além da permuta
Além do desenvolvimento empresarial, os encontros mensais fazem parte da proposta do Clube de Permuta de aproximar empresários e estimular novas conexões comerciais.
A iniciativa mantém uma rede com mais de 70 associados no Recife e trabalha com um modelo de permutas multilaterais de produtos e serviços. Na capital pernambucana, a movimentação de negócios gerados por meio das permutas já alcança aproximadamente R$ 3 milhões.
“O modelo de negócios só faz crescer. Ele traz muita economia nas aquisições e negociações e reúne empresas e pessoas sérias que estão fazendo parte desse ecossistema”, destacou Betinho Costa.
O encontro realizado em Boa Viagem reforçou, assim, uma característica que vai além do networking tradicional. Ao reunir empresários para compartilhar experiências e discutir desafios reais da administração, o Clube de Permuta transforma seus encontros em espaços de aprendizado, relacionamento e geração de negócios.
No centro da conversa desta quinta-feira, uma mensagem ficou clara: para uma empresa crescer, nem sempre é preciso fazer mais. Muitas vezes, é preciso aprender a confiar mais — e delegar melhor.



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